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Trocar o trustee: quando a substituição é possível e o que a escritura precisa prever

Como trocar o trustee: a substituição depende da escritura do trust. Veja quem pode remover, por quais motivos, quem assume e o que fazer sem cláusula.

Por Cristina Teixeira, CPA, TEP, CRC

Publicado em

Mãos de duas pessoas folheando uma escritura encadernada sobre uma mesa de escritório, com uma caneta ao lado

A troca do trustee é possível quando a escritura do trust prevê quem pode removê-lo, por quais motivos e quem assume. Sem essas regras, a substituição pode exigir acordo de todos os beneficiários ou decisão judicial, e o prazo e o custo aumentam. A primeira providência é ler a escritura, não procurar um novo trustee.

Este texto mostra o que verificar na escritura, o caminho da troca e o que fazer quando a cláusula não existe.

Atualizado em outubro de 2026.


Por que a troca costuma ser mais difícil do que a família imagina

A troca é mais difícil porque o trustee, depois de nomeado, não é um prestador comum. Ele é o titular legal dos bens do trust e tem deveres definidos na escritura e na lei aplicável. O contrato de serviço, quando existe, não é o que manda: é a escritura.

Quando a família percebe que o trustee não cumpre a função, o primeiro impulso é demitir. Só que o poder de demitir ou está escrito na escritura, ou não existe. E quem o detém pode não ser quem está insatisfeito.

Por isso a cláusula de substituição tem o mesmo peso da escolha inicial do trustee. O guia de sucessão internacional, trust e testamento situa o trust entre as ferramentas sucessórias. Este texto trata do momento em que essa escolha precisa ser revista.


O que a escritura precisa dizer sobre a substituição

A escritura precisa dizer quem pode remover o trustee, em quais hipóteses, como o substituto é escolhido e como a administração é transferida. Quanto mais clara em cada ponto, mais direta a troca.

Ponto O que a cláusula costuma definir
Quem remove O settlor (quem criou o trust), o protetor (quem fiscaliza o trustee), os beneficiários (por maioria ou unanimidade) ou um terceiro indicado
Em quais hipóteses Com causa (descumprimento, conflito de interesse, incapacidade) ou sem causa, com aviso prévio
Quem assume Um sucessor já nomeado, uma lista em ordem ou um procedimento de escolha
Como se transfere Prazo, prestação de contas, entrega dos ativos e documentos

O artigo sobre como definir trustee, sucessor e beneficiários ao constituir o trust mostra o que deveria estar escrito desde o começo. Aqui o caso é o de quem já tem a escritura em mãos e precisa descobrir o que ela permite.


Quem tem o poder de remover o trustee

O poder de remover pertence a quem a escritura nomear, e esse alguém pode não ser o beneficiário nem o settlor. Em alguns trusts, só o protetor remove. Em outros, os beneficiários removem por maioria. Em outros ainda, ninguém tem o poder expresso.

O protetor do trust é, quando existe, a figura mais comum para essa função. Se a escritura dá a ele o poder de substituir o trustee, a troca depende, em boa parte, de uma decisão dele, seguindo o procedimento previsto. Se o protetor também não age, a família pode ficar sem saída interna.

O settlor também tem limites. Dependendo do desenho, ele pode ter aberto mão do poder de dirigir o trustee ao constituir o trust, e reservar a si o poder de trocar pode ter efeitos sobre o controle e a tributação. O texto da escritura decide.


E se a escritura não prevê a troca?

Se a escritura não prevê a troca, o caminho depende da lei que rege o trust e do que os beneficiários e o trustee aceitam. As alternativas mais comuns são três: acordo entre todos os envolvidos, renúncia do próprio trustee ou decisão de um tribunal competente.

O acordo exige que beneficiários, e às vezes o settlor, concordem com a troca e com o novo nome, o que fica difícil em famílias numerosas ou quando há beneficiários menores ou ainda não nascidos. A renúncia depende da vontade do trustee e, em geral, de um prazo e de uma entrega organizada. A via judicial é mais lenta e mais cara, e depende de motivo reconhecido pelo tribunal.

Atenção: o que vale em uma jurisdição pode não valer em outra. Um trust regido pela lei de um estado americano, de BVI ou de outro país segue regras próprias sobre remoção. A lei aplicável e o foro previsto na escritura entram na análise antes de qualquer notificação.

"Muitas famílias que buscam ajuda para trocar o trustee descobrem tarde que a pergunta certa era outra: quem pode trocá-lo e como", observa Cristina Teixeira, CPA e TEP, cofundadora da Astride. (citação proposta, aguardando aprovação)


Passo a passo de uma substituição

Quando a escritura permite a troca, o roteiro costuma seguir esta ordem. É um guia geral, não um procedimento universal.

  1. Leia a escritura e todos os aditamentos, e identifique quem tem o poder de remover e em quais condições.
  2. Documente o motivo da troca, com datas, comunicações e fatos, principalmente se a remoção exigir causa.
  3. Escolha o substituto e confirme que ele aceita o cargo e cumpre os requisitos da escritura.
  4. Faça a notificação ao trustee atual na forma e no prazo previstos.
  5. Peça a prestação de contas e o inventário dos ativos antes da entrega.
  6. Transfira a titularidade de contas, imóveis e participações ao novo trustee, com a documentação de cada instituição.
  7. Atualize os cadastros e as obrigações de reporte que dependem do trustee.

O sexto passo costuma ser o mais demorado: cada banco ou corretora pede documentos próprios do novo trustee e segue o próprio ritmo.


A troca e o imposto: o que revisar

Trocar o trustee pode alterar a leitura fiscal do trust, e esse ponto deve ser revisado antes de qualquer assinatura. A orientação do IRS sobre a classificação de contribuintes (consulta em 9 de outubro de 2026) diz que um trust é tratado como pessoa americana quando um tribunal dos EUA pode exercer supervisão primária sobre sua administração e uma ou mais pessoas americanas têm autoridade para controlar todas as decisões substanciais. Fora disso, é um trust estrangeiro.

Se o novo trustee mudar quem controla as decisões substanciais, ou o lugar da administração, a classificação pode mudar, com efeitos sobre os reportes. O Brasil também tem regras próprias sobre trusts e seus rendimentos, e o impacto de uma troca de trustee deve ser conferido nos dois países. Para o trust, a troca é um evento relevante, e não só uma mudança de nome.


O que muda de caso para caso

A viabilidade e o caminho dependem de:

  • o texto da escritura e dos aditamentos;
  • a lei que rege o trust e o foro previsto;
  • quem detém o poder de remover e se há protetor;
  • se a remoção exige causa;
  • o número e a situação dos beneficiários (menores, no exterior, em conflito);
  • o tipo de ativo e a instituição que o custodia;
  • o status fiscal dos envolvidos nos EUA e no Brasil.

A insatisfação, sozinha, raramente basta se a escritura exige causa. Registrar fatos e datas desde cedo ajuda mais do que a discussão acalorada.


Como a Astride atua

A Astride revisa a escritura, identifica quem pode agir e propõe o caminho: troca pelos mecanismos do próprio trust, ajuste de regras de governança ou, quando necessário, a articulação com advogados na jurisdição que rege o trust.

Também cuida da parte fiscal e documental da transição: o efeito da troca no reporte nos EUA e no Brasil e a organização dos documentos para o novo trustee. Quando falta a cláusula de substituição, a Astride ajuda a desenhar a regra que deveria ter existido, para que a próxima troca não dependa de acordo unânime.


Perguntas frequentes

Posso trocar o trustee quando eu quiser?

Só se a escritura permitir e se você for quem detém esse poder. Em muitos trusts, a remoção exige causa ou a decisão de um protetor ou dos beneficiários. Sem previsão, a troca depende de acordo ou de decisão judicial.

O que fazer se o trustee não cumpre a função?

Comece documentando os fatos e lendo a escritura para saber quem pode agir. Se há protetor, ele pode ter poder de decisão. Se não há, as vias são o acordo, a renúncia do trustee ou o tribunal competente.

O settlor pode remover o trustee?

Depende da escritura. Alguns trusts concedem esse poder ao settlor, outros o reservam ao protetor ou aos beneficiários. Reservar demais ao settlor pode afetar o controle e a tributação, e por isso o desenho precisa de análise.

Quem escolhe o novo trustee?

A escritura define. Pode haver um sucessor já nomeado, uma lista em ordem de preferência ou um procedimento em que o protetor ou os beneficiários escolhem. Se nada estiver previsto, o acordo entre os envolvidos ou um tribunal decide.

A troca de trustee muda o imposto do trust?

Pode mudar. Segundo o IRS, o controle das decisões substanciais por pessoas americanas e a supervisão por tribunal dos EUA entram no teste de classificação. A revisão antes da troca evita surpresa no reporte.

Quanto tempo leva trocar o trustee?

Não há prazo único. Depende da escritura, da disponibilidade do novo trustee, das instituições que custodiam os ativos e, se houver ação judicial, do tribunal. A transferência das contas costuma ser a etapa mais longa.

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Conclusão

A troca do trustee depende do que a escritura prevê: quem remove, por qual motivo e quem assume. Com a cláusula, o processo é um roteiro. Sem ela, vira negociação com todos os beneficiários ou ação judicial, e o trust fica dependente de acordo.

Se a sua família quer trocar o trustee ou garantir que a troca seja possível no futuro, o próximo passo é uma conversa com quem enxerga Brasil e Estados Unidos em conjunto. Fale com o time da Astride e leve a escritura do trust com os aditamentos, o motivo da troca e a lista dos beneficiários: é o suficiente para começar.

Conteúdo educativo. Cada situação requer análise individual.

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